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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Bioclimatologia - Autor Prof. Dr. Aires Carpinter Moreira

BIOCLIMATOLOGIA

1. Considerações Epistemológicas.

De acordo com Silva (1972), o pensamento científico ocidental teve base nos questionamentos filosóficos, posteriormente o racionalismo amadurecido por Newton e completado por Laplace, construiu, apesar de muitas divergências, o modelo seguido por qualquer teoria científica, seja química, física ou biológica.
A origem das forças e da forma como estas se originam para formar um determinado saber científico são geralmente definidas não por uma, mas por diversas interpretações epistemológicas, muitas das vezes bastante objetivas. Entretanto, pode se pensar que, uma vez existindo uma estrutura científica organizada, uma ciência mais recente deriva de outra já amadurecida, e desta se separa quando passa a possuir métodos e objetivos próprios. No entanto, continua mantendo com esta uma relação de dependência teórica e até filosófica. Há neste caso, entre uma ciência mais recente e aquela detentora de teorias das quais se origina, certa relação materna, onde o cordão umbilical continua indefinidamente presente.
Como exemplo, se pode analisar o surgimento da Ecologia (ciência de grande afinidade com a bioclimatologia). Conforme Odum (1983), a Ecologia era uma disciplina dos cursos de Biologia até o final dos anos 60, quando finalmente, a opinião publica clamando pela preservação do meio ambiente veio a dar forças para estrutura de uma nova ciência.
Partindo deste ponto de vista, o fato da bioclimatologia ter-se originado entre as ciências físicas e biológicas pode ser motivo gerador de um saber difuso, e que de certa forma, justifica a atual situação um tanto quanto a deriva, deste ramo da ciência. Diferente da maioria das ciências recentes que surgiram de uma única ciência mãe, ou de ciências com afinidade suficiente, a bioclimatologia surge da Biologia e da Mecânica dos Fluidos, regiões do saber que tão pouco se avizinham. Nesse sentido, um estudo epistemológico deve ainda ser elaborado no sentido de alocar este campo do saber onde realmente lhe é devido.
Em Ciência com Consciência, Edgar Morim (1996) questiona a capacidade de auto-análise, quando se refere a produção do saber nas ciências naturais. Assim como em outras ciências da terra, ainda convivendo no paradigma clássico que separa ciência e filosofia em lados diferentes, na bioclimatologia inexiste preocupação epistemológica, no sentido de forjar um saber próprio, ou como diria Morim uma “consciência” do saber bioclimatológico. Teorias elaboradas por teóricos da filosofia da ciência, e até outros profissionais envolvidos com a temática, acabam sendo responsáveis pela delimitação e alocação do saber acadêmico na própria academia, ao mesmo tempo em que ordenam a noção de pertencimento deste saber.
Se o estudo teórico acerca de um determinado saber científico é realmente indispensável à construção da identidade deste próprio saber, uma questão a ser pensada é quais os motivos que fazem um determinado ramo da ciência tornar-se atrativo a teóricos da filosofia cientifica. Quando questionado sobre quais os motivos o levaram a analisar uma determinada ciência em detrimento a outras, Foucault (1979) afirma ter sido possivelmente atraído por campos potencialmente geradores de conflitos internos e externos, lutas. Na psiquiatria, fortemente pensada por Foucaut, os conflitos entre médico e paciente não só são pontos de conflitos internos, mas despertam interesse de toda uma sociedade na qual o saber está inserido.
Nesse ponto de vista, e acreditando ser essa a maior fonte de curiosidade e procura por parte destes estudiosos, o ainda pequeno interesse despertado pela bioclimatologia pode ser justificado devido ao seu, ainda baixo, potencial gerador de conflitos.
Talvez devido a sua relativa “imaturidade”, a bioclimatologia não seja ainda assimilada como indispensável para a formação de um conhecimento necessário à compreensão de um sistema ecológico que possibilite à preservação associada à utilização racional dos recursos naturais. E, justamente por ser recente, a bioclimatologia precisa ser pensada nos seus aspectos institucionais e até filosóficos, no sentido de se fortalecer esse importante campo científico.

2. O interesse do Homem pela Bioclimatologia
Aproximadamente uma terça parte da superfície do globo situa-se na zona tropical, onde vive cerca de 30% da população mundial.
Até o século XVI os povos das regiões tropicais gozavam do que poderíamos denominar de período de isolamento. À exceção de pequenas invasões de grupos vizinhos, de incursões esporádicas e acidentais de indivíduos provenientes de áreas longínquas, os habitantes dos trópicos não eram perturbados pelos acontecimentos ocorridos nas demais partes do mundo. O sudeste asiático, devido à relativa facilidade de acesso, sofreu maiores distúrbios do que as áreas tropicais da África, protegidas pela barreira desértica, as da Austrália e da América, cercadas pelos oceanos.
Com os grandes descobrimentos, o período de isolamento deu lugar ao período de exploração. Embora não devamos tomar uma atitude emocional, de que todos os aspectos da exploração sejam condenáveis, é inegável que o desenvolvimento tropical, por uma potência de clima temperado, foi lucro para esta última. É inegável também que muitos benefícios foram obtidos pelas zonas tropicais, tais como a melhoria das condições sanitárias, a expansão do comércio e execução de obras públicas; isto, no entanto, não descaracteriza o objetivo básico desse período, reconhecido como de exploração.
O surgimento e desenvolvimento desse período foram inevitáveis, assim como o seu declínio e desaparecimento. Como aconteceu em muitas outras situações raciais e econômicas, as duas guerras parecem ter ocasionado à transformação; na verdade, elas apenas aceleraram ou abriram caminho a processos já em formação. Hoje, em quase todas as partes do mundo tropical, o período de autodesenvolvimento sucedeu ao da exploração. O dinamismo econômico não é mais uma prerrogativa da civilização ocidental.
No cenário atual, os Estados Unidos ocupam posição difícil, mas desafiadora, quando comparada com a civilização temperada da Europa.
Na prática, não é fácil conciliar as inúmeras exigências destes dois conjuntos, que alcançaram alto grau de desenvolvimento tecnológico e financeiro. Esta confusão de motivos tem se tornado mais complexa pela notável divergência de opiniões no que diz respeito à adaptabilidade do homem branco aos climas tropicais.
A teoria da influencia climática recebeu fortíssimo apoio da Escola de Geógrafos Deterministas, da qual ELLSWORTH HUNTINGTON foi o profeta líder. Na época em que o problema começou a ser estudado inexistiam praticamente dados experimentais e uma visão filosófica sobre os prováveis mecanismos de ação climática. O único método de estudo, pelo qual poderiam suplementar as limitadas experiências sociais, era o de procurar correlações entre as condições climáticas e as realizações humanas.
Como método inicial de estudo estas investigações eram justificáveis, mas acontecia que as conclusões de tais estudos ficaram como definitivas, quando deveriam ser apenas sugestivas. As associações entre acontecimentos podem diferenciar-se bastante das aparências; a estatística prevê vantagens e desvantagens, mas não explica a causa e o efeito; provas substanciais estão ausentes, às vezes, dos dados coletados.
Quando Huntington iniciou seu trabalho, em 1907, os dados necessários eram facilmente obtidos e os disponíveis eram, não raro, de qualidade duvidosa. A lógica indutiva, processo de elaborar generalizações mediante um acúmulo de dados, recebeu grande incentivo de Darwin, mas seria inútil para aqueles que não possuíssem a habilidade deste último, para utilizá-las.
Os fisiologistas e médicos, aos quais Huntington poderia ter recorrido para orientá-lo em assuntos biológicos, ou preocupavam-se com outros assuntos ou não possuíam conhecimentos necessários sobre a média dos trópicos. Talvez por isso seja compreensível, embora não menos lamentável, que surgisse desse estudo isolado de associações, um verdadeiro evangelho de determinismo climático. Relações de causa foram consideradas certas, onde mesmo a associação era duvidosa; a grande importância da cultura, independente do clima, foi muitas vezes esquecida.
“Afirmações categóricas eram aceitas como dogmas;” a distribuição geográfica da riqueza e da energia depende, acima de tudo, do clima e das condições atmosféricas. “O contraste bem conhecido entre a energia dos povos da maior parte dos países industrializados, em zonas temperadas, e a inércia dos habitantes dos trópicos e mesmo de regiões intermediárias é devido principalmente ao clima”.
Tão profundo é o interesse do homem em seu próprio bem-estar e tão acessível às obras sobre o assunto, que estas alcançaram popularidade imediata e perduram até hoje. Em geral, os leitores, muitas vezes, não estão em condições de perceber as limitações das provas apresentadas e os métodos de analise. Muitos viam na doutrina determinista uma arma benfazeja contra os poucos que ousavam desafiar a superioridade racial do europeu.
Mesmo no auge do determinismo geográfico vozes discordantes se fizeram ouvir. Um grupo, em particular, sentiu-se difamado pela crença difundida na degeneração do homem tropical: os habitantes da Austrália Tropical, quase todos caucasianos e predominantemente anglo-saxões. O assunto foi escrito num folheto do Departamento de Saúde, porem não teve a devida atenção: “Na Austrália Tropical, não há praticamente circunstância alguma que possa ser considerada uma incapacidade definida da raça branca, a não ser alguns defeitos na estrutura social a um país novo que vise ao desenvolvimento de produção primária. Os imigrantes europeus aí estão trabalhando e desenvolvendo suas vocações como fariam em climas temperados, e não há atualmente nenhuma indicação de que a vida tropical extenue o indivíduo ou de que o futuro deste povo não seja promissor.
Isto foi, em síntese, o que CILENTE defendeu; mas poucos lhe deram atenção.
GREFELL PRICE, outro australiano interessado na colonização européia nos trópicos, criticou a aceitação do determinismo geográfico, não adotando, porém a posição extremista de CILENTE.
Hoje já existe um conjunto de conhecimentos que através de trabalhos experimentais claros, se adequadamente aplicados, ajudariam grandemente a resolver as dificuldades. A importância relativa das varias medidas apontadas, os detalhes a serem considerados e a viabilidade de pô-los em prática variam grandemente de lugar para lugar.
Com tudo isto, deverá prevalecer sempre o bom senso, onde o problema do custo em relação aos benefícios esperados exigirá sérias considerações. Entretanto, a incidência dos casos mostra claramente que a maioria dos povos dentro das áreas tropicais sofre umas tantas desvantagens quando comparadas com as zonas temperadas. Por isto, não devemos ser tão pessimistas como os da escola de Huntington, nem tão otimistas para achar que devemos estar vivendo num lugar onde tudo é facilidade e que alguns chegam a pintar as regiões tropicais como celeiros inesgotáveis de riquezas. Um otimismo exagerado não é a resposta adequada para um determinismo pessimista.
As regiões quentes do mundo estão situadas entre as latitudes Norte e Sul 300. São caracterizadas por um rápido crescimento populacional, perfazendo, aproximadamente, 60% da população mundial. De acordo com a ONU, esta população deverá ultrapassar a 5 bilhões antes do final do século.
Estas regiões são deficientes na produção de alimentos. Possuem somente a metade das terras aráveis. Produzem apenas 1/3 dos grãos do mundo. As populações rurais perfazem uma média de 56%, podendo em alguns países superar a 80%. Essa concentração populacional, associada à má qualidade das terras, faz com que o nível econômico seja baixo, e persistindo essa situação, o empobrecimento aumentará gradativamente.
É necessário, isto sim, maior e mais profunda pesquisa, para que se possa separar o folclore dos fatos reais. É necessário verificar as condições atuais do homem para determinar quais são as causas principais que lhes impõem certas limitações no reino tropical, que embora reais, são mais indiretas que diretas nos seus efeitos sobre os habitantes; para descobrir quantas dentre as condições desfavoráveis são remediáveis e para apurar as soluções conhecidas que são aplicáveis dentro dos limites de defesa suportáveis num mundo competitivo.
Há mesmo necessidade de informações climáticas mais completas sobre países tropicais, de forma detalhada que permitam análise adequada do efeito dessas condições no desenvolvimento agrícola, pecuário, industrial e social. Acreditamos que o incremento à pesquisa ajudará a sanar com brevidade muitas deficiências.

2.2 O estado atual da criação de animais nos trópicos
Uma significativa parcela dos animais criados no mundo está localizada nas regiões tropicais, como podemos observar na Tabela 01.
Tabela 01: Número aproximado dos principais domésticos e aves dentro das latitudes 300N e 300S

Fonte: Bioclimatologia Aplicada aos Animais Domésticos: Muller B.O -3a ed. Ed. Sulina
Em grande parte das regiões tropicais, a produção de animais não tem recebido muita atenção. Comparando a velocidade de crescimento do gado leiteiro dessas regiões com a dos países temperados, ela apresenta apenas 10 a 21%. A produção de carne, devido à alta mortalidade de animais, alcança apenas 1/6 a1/7 da produção das zonas temperadas. Essa alta mortalidade ocorre principalmente devido à alimentação.

2.3. O meio ambiente

As melhores condições para a criação de animais seria a de uma temperatura entre 13 a180 C; uma umidade relativa de 60 a 70%; a velocidade dos ventos de 5 a 8 km.h-1; solos férteis, sem parasitos e bactérias; a radiação solar com incidências das encontradas na primavera e no outono.
A temperatura, a umidade relativa e níveis de radiação solar entre as latitudes de 300 do hemisfério Norte e Sul, geralmente, são abaixo do ideal ou da zona de conforto para o ponto ótimo de criação dos animais domésticos. Deste modo, devemos considerar os elementos e fatores climáticos que modificam a performance desses animais. A compreensão da atuação de cada um desses elementos é muito importante. Nas últimas décadas tem sido dada uma crescente importância ao estudo da BIOCLIMATOLOGIA.
O maior conhecimento das relações clima-animal-vegetal, que tendem dar uma maior exatidão da influência que exerce o meio ambiente sobre a produção agrícola e animal, são devidas, em grande parte, ao desenvolvimento da Bioclimatologia, ao estudo das inter0relaões diretas ou indiretas entre o ambiente geofísico e o geoquímico da atmosfera e os seres vivos, animais e plantas.

2.4. As variações ambientais
Os elementos do ambiente físico que incidem sobre o animal estão representados na Figura 01, como os raios de uma roda. Nesta ilustração o homem atua como eixo, os animais como o cubo da roda e as praticas de manejo são o lubrificante que facilitam que a roda se mantenha em movimento. A superfície de rodagem da roda representa o meio ambiente total, que mantém sua estrutura graças aos raios, que simbolizam as influências dos distintos elementos. As linhas concêntricas mostram as interações importantes entre estes elementos. Quando a influência de um elemento alcançar um ponto extremo, se romperá um meio e se perderá o delicado equilíbrio do meio ambiente e do animal (BONSMA, 1958).

Quando o animal está sob uma temperatura em torno de 8 – 100C e sua zona de conforto é de 130 C, a roda reflete isto mediante uma depressão, segundo se aprecia na figura 02.

Estas circunstâncias provocariam certo grau de desconforto no animal e provocariam uma estimulação de certos processos fisiológicos de reação, que determinariam trocas no seu comportamento geral. Não obstante, apesar destes efeitos diretos, a roda continuaria girando, ainda que com menos eficácia que antes, devido à depressão formada pela temperatura. Assim mesmo, segundo as condições estabelecidas, o principal impacto da troca de temperatura não se deve à ação direta, mas por mecanismo indireto. Se as condições de uma temperatura elevada fossem prolongadas, como ocorre em boa parte das latitudes entre 300 N – S, os efeitos indiretos que incidem sobre o animal, através da escassez ou baixa qualidade dos alimentos, de enfermidades, de parasitos, poderiam determinar um colapso da roda, como se verifica na figura 02, quando se rompem vários raios, e o meio ambiente ocasiona um subprodutivo, tanto na eficiência como na produtividade em geral.
Outra dificuldade para manter o equilíbrio na roda ambiental se deve às práticas tradicionais de exploração animal, como as de conservá-los na sombra durante as horas mais quentes do dia ou estabulados durante as horas mais frias, impedindo assim de avaliarmos corretamente os efeitos diretos das condições climáticas sobre o conforto e o rendimento dos animais. Nas figuras 01 e 02, podemos apreciar que o conhecimento das condições climáticas médias previsíveis, suas variações estacionais e duração das condições extremas podem ser um valioso instrumento para determinar a possibilidade geral de produzir gado em uma região, as técnicas mais adequadas para produção de alimentos, a necessidade de estábulos e o melhor manejo para os animais.

4. Clima e Termorregulação.
Adequar a edificação ao clima de um determinado local significa construir espaços que possibilitem ao animal condições de conforto. Ao projetista cabe tanto amenizar as sensações de desconforto impostas por climas mais rígidos, tais como os de excessivo calor, frio ou vento, como também propiciar ambientes os quais sejam, no mínimo, tão confortáveis como os espaços ao ar livre em climas amenos, para que os altos níveis de produtividade sejam atingidos.
Dentre as propriedades físicas do ar atmosférico que caracterizam as condições climáticas de uma região, podem-se distinguir as que mais interferem no desempenho térmico dos espaços construídos. A oscilação diária e anual da temperatura ambiente e escuro for o solo, maior será sua absortividade térmica não havendo quase nenhuma refletividade para o meio ambiente. Justamente o oposto ocorre com solos claros que refletem o calor de volta ao ambiente.
Esse fenômeno não existe somente para os animais abrigados. Estudos indicam que bovinos em pastagens são expostos a diferentes quantidades de calor radiante que dependem do tipo de capim utilizado. Alguns são mais radiantes que outros, aumentando a quantidade de carga de radiação total que incide no meio ambiente e, consequentemente sobre o animal.
As figuras abaixo indicam as cargas aproximadas de radiação recebidas pelos caprinos sob alta temperatura.







A radiação solar penetra na edificação como calor. O conceito da combinação do calor radiante com a troca de calor por convecção resulta num problema de convecção simples.
A quantidade de radiação solar que atinge o solo depende também da porcentagem de recobrimento do céu e da espessura das nuvens. A nebulosidade se for suficientemente espessa e ocupar a maior parte do céu, pode formar uma barreira que impede a penetração da radiação solar. Do mesmo modo, pode evitar que o calor desprendido do solo à noite se dissipe na atmosfera.
5. O conforto ambiental para suínos.
Durante um mês foi feita uma experiência micro-meteorológica para avaliar as trocas energéticas de um varrasco numa criação industrial em Montemor. Mediram-se continuamente a radiação de grande e de pequeno comprimento de onda, o fluxo de calor para o pavimento e a sua temperatura superficial em 5 pontos, a umidade e a velocidade do vento. Pontualmente foi também medida a temperatura superficial do animal com um termômetro de infravermelhos. Durante todo o tempo da experiência o animal foi filmado para determinar em cada momento a sua posição. Essas medições foram complementadas por medições do peso corporal do animal e das quantidades de ração e água ingeridas. Com estes dados construir-se-á um modelo estocástico das trocas de calor do animal, que será também validado.

5.Relação com outras ciências.

5.1) Bioclimatologia e Meteorologia.

A Meteorologia é a ciência da atmosfera, incluindo não só a Física, Química e a dinâmica da Atmosfera, mas também seus efeitos diretos sobre a superfície da terra, oceanos e a vida em geral (Borisenkov, 1987), desta forma, a atmosfera controla a vida de muitas formas. Age como uma cobertura filtrando vários tipos de radiações eletromagnéticas e articulações de alta energia do Sol e do espaço. Os ventos transportam calor e unidade e, neste processo, misturam o ar e criam condições mais uniformes na Terra do que poderiam existir. Os mesmos ventos que dirigem correntes oceânicas e produzem ondas do mar, interferem nos processos biofísicos na Camada Limite Atmosférica, delimitando-a.
Assim, a fim de se detalhar melhor a atmosfera, se faz uma divisão em diversas escalas (temporal e espacial), e evidentemente, dividindo a meteorologia em diversas linhas de pesquisa: Meteorologia Física, Meteorologia Dinâmica, Meteorologia Dinâmica, Meteorologia Sinótica, Meteorologia Aeronáutica, Agrometeorologia, Climatologia e Bioclimatologia, todas com o objetivo final de trabalhar com e no ambiente em prol dos seres vivos, entendendo-se como tal o ambiente que o envolve, podendo ser: o globo, um ecossistema, um único animal ou um rebanho, uma planta, uma folha isolada. Desta forma a “Bioclimatologia” é tão vasta que campos distintos são geralmente designados, porém todos os campos envolvem o estudo da superfície da Terra como meio dos processos físicos, ou o estudo das formas de vida como sujeitas ao seu ambiente físico, ou uma parte da biofísica lidando com o tropismo.
Nos modelos de circulação, a bioclimatologia trabalha na superfície da Terra e busca relações energéticas na interface solo-planta-atmosfera, delimitando, principalmente, o que e quanto se troca em forma de calor latente, calor sensível, fluxo de calor no solo e, evidentemente, a radiação líquida disponível para mover a “maquina biosférica”.
Assim sendo, a vida na Terra é limitada pelas condições do meio físico responsável pela grande variabilidade de plantas existentes sobre o globo terrestre, que é uma resposta das mesmas aos estados do sistema solo-planta-atmosfera. Os mecanismos de transferência de calor, água, gases e íons no solo; captação de fótons, difusão, translocação, fluxo de seiva, ação de enzimas e hormônios de plantas; transferências turbulentas e de radiação e precipitação na atmosfera, são afetados pelo estado dos três componentes, que comandam os processos fisiológicos.

5.2) Bioclimatologia e Ecologia.

A exceção de alguns tipos de bactérias é de nosso conhecimento que os seres vivos só podem subsistir num intervalo de temperatura compreendido, em média entre 00 e 500 C, pois são estas as temperaturas compatíveis com uma atividade metabólica normal. Nesse caso a relação entre a vida e a temperatura é claramente observada.
Assim, como a temperatura, vários agentes do meio exercem influência sobre os organismos vivos. Estes agentes são denominados fatores ecológicos, e comumente classificados em edáficos, químicos, bióticos, ou no caso, climáticos. No entanto, nem sempre é fácil classificar um fator numa categoria ou em outra; a temperatura, por exemplo, fator abiótico, é muitas vezes influenciado pela presença dos seres vivos.
Em diversas regiões do planeta, onde a vegetação original foi alterada ou extinta por uma ação antrópica, observaram-se como conseqüência, mudanças climáticas. Esse fato pode ser percebido nas significativas diferenças encontradas em regiões geograficamente vizinhas como um centro urbano, uma área de preservação florestal, ou uma plantação de cana. Assim a forma de adaptação e sobrevivência encontrada pela planta em um determinado meio ou seja, a complexa interação da vegetação com o solo e a atmosfera acaba por ser fator ativo na formação do micro-clima.
Da mesma forma que as plantas, os animais também desempenham papel importante na formação climática. Em estudos com abelhas observou-se que quando a temperatura da colméia desce a um valor abaixo de 230 C, aproximadamente, as abelhas se agitam e fazem a temperatura subir para 250 ou 300 C. Nesse caso o micro-clima da colméia, alterado pelas abelhas, torna-se muito mais estável e satisfatório.
De acordo com Odum (1993), os seres vivos se adaptam segundo suas necessidades, ao ambiente físico e geoquímico através da sua ação no meio. Desta forma, as comunidades de organismos e seus ambientes desenvolvem-se em conjunto, o que demonstra a importância de uma abordagem bioclimática na compreensão ecológica de um determinado ecossistema.

5.3) Bioclimatologia e Hidrologia.

A importância cada vez maior que se vem tendo com as questões hidrológicas não são por menos; a falta ou o excesso de água pode comprometer integralmente o bem estar do homem. Enquanto as secas definham as lavouras, provocando fome e desnutrição, as enchentes soterram moradores de encostas, trazem prejuízos materiais, e fazem proliferar diversas doenças de veiculação hídrica.
Daí a contínua necessidade de aprimoramento dos modelos hidrológicos utilizados por gestores da Engenharia de Recursos Hídricos. Esse processo de refinamento dos modelos esbarra muitas vezes na falta de um melhor conhecimento de parâmetros hidrológicos na unidade de estudo. A correta determinação de características como infiltração, evapotranspiração e coeficiente de escoamento superficial são indispensáveis a eficácia de um modelo hidrológico.
Numa abordagem mais detalhada do problema, estes parâmetros devem ser concebidos não como características estáticas de uma bacia hidrográfica, mas sujeitos a contínuos processos de transformação, quer seja por ação antrópica ou características próprias do meio.
Nesse contexto, um conhecimento bioclimático da unidade de estudo pode colaborar na determinação dinâmica dos parâmetros hidrológicos, quando busca compreender as relações de trocas de massa e energia envolvidas.

6) Considerações finais.

Dentre as diversas dimensões aqui tratadas, atualmente, a que mais tem sido tratada com certo “frenesi” pela geração presente, quem sabe envergonhada pelo que vai legar às gerações futuras é a ECOLÓGICA. Esta dimensão, embora não seja nova, passou a ser a menina dos olhos da humanidade e, não há neste momento um setor científico que com ela não esteja preocupado, pois envolve todos os setores do nosso meio ambiente, desde o de nível mais elementar ao de nível mais elaborado.
Assim pensando é que nos reunimos para debater em congressos, seminários, encontros de toda sorte, onde a temática, implícita ou explicitamente se faz presente. Portanto, neste emaranhado de buscas para melhorar as condições necessárias de vida em nosso planeta, numa mudança paradigmática, a Bioclimatologia dela faz parte, surgindo como uma ciência nova, independente, como ocorreu com a ecologia e a hidrologia.
A bioclimatologia está intrinsecamente relacionada a este novo contexto, como o estudo das transferências de energia e de massa entre os seres vivos e a atmosfera, em diversas escalas de tempo e de espaço.

7). Referências.

BRUTSAERT, W. Evaporation into the Atmosphere. Dordrecht, Boston, Lancaster: Reidel

BRUTSAERT, W. Evaporation into the Atmosphere. Dordrecht, Boston, Lancaster: Reidel

Publishing Company, 1982.

FOCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro, RJ: Bertrand Brasil, 1996.

ODUM, Eugene. P. Ecologia.Rio de Janeiro: Guanabara, 1983.

MÜLHER, B.P., Bioclimatologia Aplicada aos Animais Domésticos. Editora Saraiva – 3a Edição – 1989 – Santa Maria – 262 p.

NÃÃS, I.A., Princípios do Conforto Térmico na Produção Animal.- São Paulo: Ícone, 1989, Coleção Brasil Agrícola.
Autor desse Artigo: Prof. Dr. Aires Carpinter Moreira.
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Se Deixares!


Se deixares...
Direi-te dos meus sonhos
Sobre muitos planos
Talvez até me recorde
Alguns que já esqueci
Direi-te das minhas incertezas
Muito mais das certezas
Direi por onde passei
De tudo que já vivi
Talvez queiras saber
Das muitas lágrimas que chorei
Das dores que escondi
Das saudades que guardei
Do amor ido; Que chorei
Dos caminhos traçados
Jamais caminhados

Se deixares...
Talvez nada disso direi
Vou falar-te do cheiro das flores
Do brilho das cores
A estrela mais bela entre tantas
Sobre o tempo e coisas banais
Deixando de lado os ais
Darei-te um sorriso
Contarei de amores bonitos
Farei-te uma festa
Ao som do violão uma seresta

Se deixares...
Nada direi talvez
Apenas deixarei que sintas
Meu olhar no teu
Meu peito arfante
O coração batendo descompassado
Deixando de lado o cuidado
Entregando-se ao calor de um abraço
Por tanto tempo esperado
Se Deixares...

By: Eliete A. S. Bezerra
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